quarta-feira, 12 de março de 2014

Sibéria 2014 - Impressões

Impressões sobre a Sibéria
Minha imaginação não tinha elementos para fixar uma idéia do que seria esta parte do Mundo. Ligava o nome do lugar, a uma área inóspita, e perfeita para prisões que não permitissem a fuga, simplesmente porque fora da prisão os fugitivos morreriam rapidamente.
Era isso o que eu pensava. Frio, deserto e hostil.
Lago Baykal, um dos lugares mais lindos que já vi na vida!

Claro que a realidade é sempre diferente da nossa fantasia, e dei de cara com uma cidade grande, e muito ativa, apesar de não me parecer nem um pouco atrativa no primeiro contato.

Os prédios estão por toda parte, pelo menos por onde eu estive, e é difícil estabelecer diferença entre eles.
Herança do comunismo, e da necessidade de apagar qualquer resquício que fosse da diferença social entre as pessoas, talvez, o caso é que pra mim tudo parecia muito linear e cinza...muito cinza.

Neve por toda parte, pois por lá o inverno só termina mesmo por volta do final de Abril, e quando cheguei a temperatura era de – 10, o que para as siberianas, é quentinho!!!
Meus lábios racharam imediatamente, sem se importar com o batom que eu insistia em passar direto. Não tive nenhuma vontade de sair e explorar a cidade, pois o frio era tanto que depois de 2 minutos na rua, o que eu queria era voltar para dentro do flat e ficar quietinha...

O flat, tinha uma mistura de cores, que deixaria maluca até mesmo a mulher mais inusitada em combinações. A cozinha era laranja, choque, as cortinas do quarto e o teto lilás, e o banheiro azul e branco....fala sério!!
Eu podia fazer meu nescafé a qualquer hora, tinha yogurte e algumas frutas, então pelo menos de fome eu não morria...

No primeiro dia de jet lag, não fui capaz de fazer nada
No segundo dia, já tinha trabalho , 4 horas de julgamento em competição e foi uma experiência muito interessante. Diferente das bancas do Brasil, onde não se discute nada posterior as notas, e a decisão final nunca é da banca, lá tudo é diferente.
Depois das notas serem somadas, e termos um resultado numérico final, as pessoas que compõe a banca, juntas discutem o 1º 2º e 3º Lugar, e não necessariamente as notas é que fazem a diferença. Claro que um 1º lugar indiscutível não oferece margem a dúvidas, mas até mesmo com isso tivemos algumas conversas, pois em alguns casos, haviam empates.

É tudo tão transparente e correto, que passa a valer a pena participar de competições, pois pelo menos, vc tem acesso a tudo, e sabe exatamente o que determinou a decisão da banca, na final.
Fui procurada por algumas bailarinas, em virtude de meus apontamentos, e foi maravilhoso ter a chance de dizer o porque desta ou daquela nota, e depois encontra-las na aula, dispostas e experimentar algumas das coisas que eu havia proposto.

Claro que tive uma tradutora comigo tempo integral
Nastya ( Anastacia ) foi meu anjo o tempo inteiro, para comer, para julgar, para dar minha opinião , ela foi minha voz enquanto estive neste lugar.

Numa das noites , não consegui dormir de jeito nenhum e fui ligada direto por quase dois dias. Naquela noite descobri diversas bailarinas russas que ainda não tinha visto e acabei fazendo uma lista de performances que me impressionaram muitíssimo. Logo a lista vai estar na corrente do bem!

Minha organizadora foi incrível e sua família, é como uma ancora bem vinda em sua vida. O pai e a mãe, sempre presentes, trabalhando como loucos para o festival e para a dança.
Na noite do show tivemos um jantar somente as bailarinas convidadas, e eles, e foram horas inesquecíveis. Um encontro intimista, com boa comida, e muitas estórias compartilhadas. Para Luana, o momento prévio da despedida, é sempre um ritual, e cada um presente, tem que dar seu testemunho ou impressões sobre os últimos dias...bom para encurtar o assunto todos se emocionaram em sua vez de falar, e não fui a única com lágrimas nos olhos ...

É muito bom poder compartilhar a dança desta maneira, com pessoas que são tão apaixonadas por isso, que excedem os problemas que costumam nos assombrar...e transcendem além disso

Obrigada Luana Ptukha, Tatiana, Anna Borisova, Anastacia e Vilenna Shamarkan. Aquela noite vai ficar para sempre comigo!

quinta-feira, 6 de março de 2014

Primeira formação Cia Lulu - 2009 - queridas para sempre!





Tenho saudades desta época

A escola no novo endereço ainda era bem nova, e todas estávamos nos acostumando a ter mais espaço e um ambiente todo dedicado a dança.



Muitas daquelas que começaram conosco, mudaram radicalmente de vida, e algumas até deixaram a dança de molho.

No caso deste grupo, a maioria permaneceu e até hoje pratica, ou até mesmo trabalha com ela.



Millah Marcucci, hoje mora na Inglaterra, Flavia Paradela é terapeuta, mas ambas serão para sempre bailarinas

Lia Takata e Kelly Rodrigues, estão ativas e muito presentes em Shangrila

Paula Trigueiro é uma de nossas mais novas professoras.



Só tenho a agradecer!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Cigarra ou Formiga? Eis a questão!





Impressionante, como o que reverbera mais onnline é sempre algo que carrega uma energia que não é das melhores.

Ontém, vivendo pela centésima vez uma situação que já assolou muitas professoras de dança mas especialmente costuma criar problemas para as pequenas empresárias da dança, decidi me colocar sobre uma situação real, com uma pessoa real, que tomou atitudes socialmente incorretas.

Vivemos num meio formado em sua maioria por escolas pequenas, que sobrevivem, parcamente, com ajuda de amigos, família e quem mais aparecer por perto para dar uma força.
Poucas escolas de dança Oriental alcançam   a estrutura de uma pequena empresa, com todas as responsabilidades que isso acarreta. Funcionários, impostos, custos fixos altos e que não desaparecem com carnaval , natal e copa do Mundo.
Nesta teia da informalidade, vale tudo!

Buscando por algo que me trouxesse um vento fresco hoje de manhã decidi ouvir o Podcast da Sala de Dança...e não escolhi o atual mas um que saiu há algum tempo atrás.
http://www.saladedanca.com.br/
o endereço para quem ainda não conhece!!!

Escutando  o episódio  sobre Ética e Moral - onde vc se encaixa?, me dei conta de algo que ainda não tinha  ficado claro para mim.
Ouvir sempre traz novas reflexões e por vezes nossos valores estão mesclados com conceitos e nem percebemos. O que ficou para mim...

Moral é aquilo que está tão enraizado dentro de nós, que rege nossas ações mesmo quando não há qualquer chance de sermos descobertos. Decidimos não fazer coisas que não cabem em nossa forma de ver a vida e o direito nosso e do outro. De certa maneira, é o que vivenciamos desde pequenos e o que aprendemos no seio da nossa família, eternizado em nosso corpo e mente.

Ética - é diferente, seria a  forma como nos conduzimos para poder viver melhor em sociedade, sabendo que nossas ações vão reverberar nos outros e por isso tomamos alguns passos específicos para evitar o prejuizo do outro e nosso próprio. Mas este pensamento se vira para o coletivo, não é mais algo tão pessoal, mas sim voltado para a comunidade ou grupo onde vivemos.

Uma colocação clara, num ambiente que atinge sim muita gente, mas que ainda é meu por direito, criou uma avalanche de resultados. Os ataques que recebi vieram sem muito refinamento e absolutamente grosseiros, de pessoas várias, algumas inclusive que conviveram anos comigo, e que mantém externamente a política da boa vizinhança , mas num momento  como aquele o que tem a mostrar mesmo o são os dentes!Ok todos nós somos animais no final das contas, a única diferença é nosso nível de evolução!

Sempre que escrevo algo que é importante para mim tomo o cuidado de ser direta, não gosto de sujeito oculto, não acredito nisso a não ser para a gramática da Lingua Portuguesa. Este é meu canal, comunicar, dizer, escrever. Não sou adepta, de fazer de  conta ou fingir que não vi algo, quando a verdade é mais clara que dia de sol na neve.

Então quando chego no meu limite, escrevo. Ah vc deveria tratar disso de forma privada!( Dizem as línguas estrangeiras por aí!)
Aos abutres de plantão, viva o que eu vivi, ria o que eu ri, chore também, e passe por tudo, aí vc pode decidir para VOCÊ  o que fazer!

Muito fácil falar sem citar nomes, e aí então escrachar solenemente a pessoa que é o alvo da piada, sem o menor pudor ou respeito.
Afinal estou atrás do anonimato do sujeito, ao não citar o nome, me protejo e me ancoro na covardia das palavras.
Seria maravilhoso se tivéssemos a chance de escolher quem fica e quem não fica ao nosso lado desde o primeiro contato.

Que tal se ao se aproximarem de nós, as pessoas já sinalizassem o que são de fato?

Isso evitaria que compartilhássemos nosso espaço, físico, emocional e social , com seres que não trazem nada , apenas sugam e depois destroem o que ficou para trás!

Mas evidentemente isso não recebe nenhum nome ruim certo? Falar pelos cotovelos sem nenhuma prova, e trocar figurinhas online, sem necessidade alguma de um fato real que corrobore as acusações é um comportamento aceitável?E o que dizer da pessoa que conversa com você de forma respeitosa até mas que online faz questão de manter o esnobismo e o suave desprezo como tempero principal?

Em alguns momentos a sensação é mesmo de que o nosso mundo - pelo menos este Universo pequeno e multi facetado da dança Oriental - está mesmo perdido.

Ainda existem sonhadoras de plantão, que não não baratas sem coração, e nem ratos anestesiados, e por isso reagem.
São estas pessoas que fazem o que ninguém quer fazer, são elas as taxadas de patsas pois acreditam que é possível um caminho do meio, acreditam que é possível compartilhar, e respeitar o diferente, sem ferir o outro.

Pessoas que como eu, estudam até hoje, pagam por aulas, dão créditos aos professores que lhes ensinaram, e continuam buscando por respostas. Mudam de idéia e recompõe suas explicações.
Mulheres comuns, algumas tem filho , outras não, mas todas sem exceção abraçaram um causa que toma delas muito mais do que 3 horas por semana.

Para estas loucas formigas trabalhadoras, existe um exércíto de cigarras, cheias de opinião.
A formiga é incansável, limpa chão , faz evento, faz comida, cuida de criança ou de seus gatos, cachorros dança, ensina e etc!!
 As cigarras tem tempo de sobra, para falar do outro sem olhar para si. Aproveitam a vida, dançam sem muito compromisso, pois afinal ninguém depende delas.
A formiga é coletiva, a cigarra individualista.
A formiga sabe que o conjunto faz a força a cigarra, vai pensar na força necessária na hora em que a necessidade aparecer.

Então para aquelas que tiveram paciência de ler até este ponto, eu penso mais uma vez que o grande caminho é entender os nossos porques
Quem eu sou, e onde me encaixo.
Tenho moral, mas qual é a trilha que considero como minha Ética?

Como diz Valéria Alves, será que sei quem eu sou, e a que vim?
Ou já me perdi no turbilhão de ser o que querem que eu seja dependendo do ambiente onde me encontro como um camaleão perdido , e distante da natureza?


Quem assina aqui é , a louca bipolar descrita por antigas parceiras de dança, que precisa de Prozac, mas não toma pois faz mal a saúde, tem comportamento adolescente, pois uma parte de mim será para sempre jovem!
Podem falar a vontade, sim tenho 47 anos, danço , ensino, vivo, choro e me descabelo mas sou sincera...
Artigo raro que talvez em poucos anos, se transforme em antiguidade, talvez suas filhas ou filhos, nunca tenham a chance de entrar em contato com isso!!

Fecho com as palavras de uma pessoa muito especial, que sempre traz luz por onde passa
Patrícia Dib
Hoje de manhã :

Somos frutos de nossas próprias escolhas...temos direito de fazer o errado mesmo sabendo que poderiamos ter escolhido o certo...me derrubaram!!! Mas já estou de pé...ontem tive um encontro com meu passado e consegui espiar meu futuro...decidi então que no presente não mais sentarei diante de alguns seres que convivem  no mesmo espaço que eu, sei que não sou gigante,mas se sentada eu incomodo espere pra me ver de pé...


Boa tarde a todas nós, e que possamos arcar com o peso de nossas ações assim como nossas palavras!


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Dança Oriental no Brasil - pequena linha do Tempo!

 
 
 
 

A dança oriental no Brasil

Início de Tudo

Linha do tempo

70s - 1ª geração



1976 Samira Mattar , Rita Bianchi e Vera Bello ( Najua ) Iniciavam pequenas apresentações de dança do ventre , com música ao vivo  em festas e celebrações particulares. Através de Anuar Uchoa, e com a presença de músicos da família Mozaiek que até hoje é muito famosa no Brasil os shows passaram a acontecer em restaurantes e grandes clubes .
Conjuntos que faziam parte desta época:
Emilio Bonduk , Elias Almazar , Nabil Nage, Said Azzar e Ismaili.
A dança era propriamente um artigo de pouca divulgação mas tinha seus pontos fixos. Um deles um restaurante que já não existe há muitos anos , se tornou uma MECA para a dança em Sp , seu nome era Bier Maza- Foi o mais famoso restaurante nas décadas de 70 e 80.
Outros restaurantes que abrigavam as apresentações – Zorba o greto e Porta Aberta e também Semiramis.
Começou a ministrar aulas em 1997 e hoje juntamente com sua filha Shalimar Mattar organiza o maior festival de dança oriental do Mundo chamado Mercado Persa. Tem lugar em São Paulo uma vez ao ano sempre em abril, e traz aproximadamente 6000 pessoas para visitação em 3 dias de duração.

Madeleine Iskandarian
Nascida em 1 de setembro em Belém ,Palestina. Criada em Aleppo na Síria e em Beirute no Libano.
1957 Chegada ao Brasil ( 19 anos )   - por 18 anos trabalhou como cabeleireira
1979. Iniciava sua carreira como bailarina oficialmente no restaurante Bier Maza em SP Shahrazad Sharkey. Trabalhou com músicos famosos como o alaudista Wadi Koury e o percussionista libanês Fuad Calil Haidamus – pioneiro da percussão árabe no Brasil
Também foi parte integrante do restaurante Porta Aberta, um lugar extremamente importante para a dança árabe até a decada de 90.
Foi professora de muitas brasileiras incluindo a mim ( Lulu ) que tenho apenas ela como referencia de aulas em meu país.
Desenvolveu um método próprio de ensino visando a feminilidade e a relação da dança com o parto e também como aliada para a vida sexual. Apesar de ter uma formação libanesa, seus olhos se voltaram para o Egito. Dançava essencialmente improvisando e acreditava que este era o caminho mais natural.
 Sua marca reside nas mulheres que com ela aprenderam e depois compartilharam seus conhecimentos com outras. Ela vive no corpo de muitas bailarinas hoje ativas e presentes no mercado brasileiro e também exterior. Ela é o pedaço oriental que adotou o Brasil e por essa razão carrega consigo um símbolo único de representatividade em nosso pais.
80s 2ª geração
Gisele Bomentre
 
1983 -Formada em ballet clássico inicialmente, se interessou por dança oriental ainda bastante jovem. Em 1983 já se apresentava nos lugares que ofereciam dança no Brasil :Porta Aberta e Khan el Khalili que neste momento tinha acabado de abrir suas portas.
Sempre teve grande carisma e foi a primeira brasileira a ingressar numa carreira internacional , tendo tido grande sucesso e desenvolvido seu trabalho por areas antes nunca tocadas por nós do Brasil
Seu roteiro internacional começou aqui na cidade do México no restaurante Adonis, onde permaneceu em um contrato por 16 meses
Depois do México sua vida ganhou rumo junto aos países árabes : num primeiro momento a costa do Marfim na Africa, em Abdjan e de lá para o Oriente Médio: Libano, Dubai , Abu Dabi, Oman Jordania , Tunísia e Siria.
Como primeira brasileira a pisar nestes lugares creio que devemos a ela a abertura do caminho para as outras brasileiras que viriam depois.
No mesmo periodo início dos anos 80 creio , Camelia, foi a primeira brasileira a se apresentar no Egito, onde permaneceu por muitos anos, tendo sucesso e sendo respeitada enormemente. Numa de minhas viagens a este país eu vi diversos outdoors que traziam o rosto dela. Um orgulho para nós fora de casa!
 
1983
Lulu Sabongi – Lulu from Brazil

1983- Iniciei com Shaharazad
Aulas em 1983, começando a dançar seis meses depois na casa que compartilhava com meu parceiro naquele momento. Jorge Sabongi.
Me apresentei também no Porta Aberta, mas de fato todo o meu processo de aprendizagem e desenvolvimento se deu em minha prórpria casa chamada Khan el Khalili.

Fatima Fontes
1986
Najua Mirela Poletto Juntamente com Shams Sirham ,Fátima Fontes , e Karima Giz entram na Khan el Khalili, que agora havia substituído os outros restaurantes como um lugar fixo de apresentações de dança. Esta seria a segunda geração de dança no Brasil considerando as que iniciaram nos anos 70 e agora as que apontavam na década de 80.

90s  3ª geração
 
Hoje em dia Mirela está aqui na Cidade do México , Shams na Escócia e Karima na Alemanha. Fátima Fontes continua no Brasil desenvolvendo um trabalho terapêutico ligado a dança oriental.
 
 1993- dez anos depois de iniciar os estudos- Primeiro conteúdo Didático no Brasil
 

Primeiro vídeo didático de dança do ventre no Brasil – a dança foi para as casas e para onde ninguém mais podia chegar. Isso causou o início de um desenvolvimento fora de SP que até então era o único ponto de apoio da dança.

Shahar Badri 90s


A companhia que decidiu fazer esta produção era formada por um especialista em Musica e história da Arte Jose Antonio Prazeres e os proprietários de uma renomada livraria esotérica no Brasil chamada Horus , Léa e Jean, eu neste momento era a mascote da turma.

Neste momento o público conheceria Soraia Zaied que foi minha convidada para o primeiro vídeo didático da dança em meu país.

    

 
1997- Lançamento de uma coleção de mais 10 videos didáticos – Lulu Sabongi

Em 1997 viria uma coleção muito mais ampla, já com produção própria onde como convidadas, estavam muitas das bailarinas que de fato , posteriormente fizeram parte da historia da dança no Brasil e criaram seus próprios estilos. Entre elas : Shams, Shahar Badri, Kahina, Elis Pinheiro, Jade al Jabel, Palluh, Safira, Brysa Mahaila, Muna Zaki, Nur, Danny Negri, Dunia, e muitas outras artistas especiais que acabaram fazendo da dança sua vida.

Neste momento já viajava pelo Brasil dando aulas em diversos estados, os dvds traziam não apenas a mim mas as bailarinas que tinham sido minhas alunas ou de outras pessoas, e que eu considerava talentosas, e especiais. Viajávamos sem sair de casa através desta mídia que seria o primeiro passo para o que viria depois, em forma de dvds e cds, que hoje são a base de nosso trabalho 
Karima Giz - 90s
Pouco a pouco o mercado se modernizava, e outras bailarinas apareciam.
Estes são hoje em dia nomes muito importantes na dança, mas nem de longe são os únicos, temos uma fabrica de talentos para esta arte no território brasileiro!

Importante  mencionar que   Shahar Badri e Soraia Zaied, foram as duas primeiras professoras de minha escola, que aceitaram o desafio de estar comigo no ensino da dança em SP o que ocorreu a partir do ano de 1990 , Iniciei as aulas sozinha, e o ingresso das duas convidadas, a partir de 1994 transformaria o que era apenas uma idéia no que é hoje a maior e mais tradicional escola de dança Oriental do Brasil.

1998 


Aysha Almee 90s
 


 
Minha primeira viagem ao Egito foi em 1998 , neste momento uma grande bailarina brasileira tinha seu nome destacado neste país


Munira Magharib 90s
 



Jade al Jabel 90S





Camelia . já vivia no Cairo há muitos anos e depois de sua experiência neste país morou em outras partes do mundo sempre compartilhando o que pode apreender de sua experiência árabe. Já falava fluentemente o idioma na primeira vez em que a encontrei, em 1998. Tinha uma banda enorme com mais de 20 músicos e seu show tomava lugar nos melhores hotéis do Cairo
 



20004ª Geração
90s

 
 
 


A partir do ano 2000, muito desenvolvimento na dança Brasileira, passando a ser reconhecida em outros países e especialmente nos Emirados árabes através do empresário Omar Naboulssi que passou a ser a ponte entre o Brasil e a estrutura artística nos emirados.
2001 Numa viagem ao Cairo , Lulu Sabongi ( então meu nome artístico) Shahar Badri e Soraia Zaied, foram as primeiras estrangeiras a dançarem no close gala do então Novo ainda, Awlah wa Sahlan.

Hoje em dia estar neste festival como professora convidada ou mesmo artista em performance, é muito mais uma ação comercial do que qualquer outra coisa, mas naquele tempo, o convite tinha uma aura muito especial.
 

Em 2003 Celebrava 20 anos de carreira! Memorial da América Latina em São Paulo.


 

Reunimos neste teatro um elenco de aproximadamente 400 pessoas. Muitas delas eram as profissionais que haviam nascido e crescido junto comigo. Cias de diversas cidades formaram aquele show que foi único pelo investimento e pela qualidade. Os tempos mudariam e não seria mais possível fazer algo tão grande.

A partir daí tudo explodiria

Iniciei carreira internacional em 2000

Grandes festivais de dança passaram a acontecer em diversos locais

Nunca nada foi o mesmo, e hoje ainda somos apaixonadas por esta dança.

O pólo não era mais apenas São Paulo mas o Brasil todo se transformou em pequenos mundos orientais

Escolas cresceram e se desenvolveram, pela raça e amor de mulheres que se encantaram com esta dança e para viver dela transformaram suas vidas!

Algumas pessoas que a partir do ano 2000 estão se transformando no que chamaria a quarta geração da dança em nosso pais!
 
Kahina / ano 2000
 
Nesrine 2003

Novos nomes serão adicionados ao longo das semanas, pois preciso checar com cuidado o início da vida profissional para não cometer enganos

Conto com vcs, neste processo
Observo que estou focando a linha do tempo em SP pois é onde tenho mais contato e conheço de perto a carreira de muitas que menciono aqui

Boa noite
Lulu
 



 
 
 

 

 
 

 

 

 
 
 
 

 






 

 
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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Dançar a alegria e a tristeza - meu destino e meu desejo!


 
 

 

 
 
 
Simplesmente dance

Alguns dizem que dançar o sofrimento mostra  falta de caráter, que análise pobre e sem sentido!

Dançar sempre , não importa por que e nem para que!

De alguma forma este  tem sido meu lema, mesmo sem saber nem qual era o significado desta palavra.

Danço desde muito novinha, antes mesmo de entender que era isso o que fazia rodopiando feito doida e batendo a cabeça na parede, pois demorou um ano e meio para minha mãe perceber que eu realmente não enxergava direito, e aí eu era uma rodopiante bem pequena usando óculos

Comecei o ballet com sete anos , e nunca me esqueci de minha primeira professora, chamada Ivani. Sua escola era pequena mas muito organizada, bem pertinhho da estação São Judas do metrô em São Paulo.

Lá aprendi meus primeiros passos e cheguei até a ponta. Dancei mesmo um sólo que foi o orgulho de minha mãe, uma valsa de Strauss chamada , pão suor e vinho.

Por volta dos onze anos de idade, tive que abandonar esta escola, e minha única opção era a escola Municipal de Bailados em SP, onde eu sabia que tinha poucas chances, pois por ser pública e gratuita, a escola preferia selecionar alunos que tivessem de fato todas as aptidões muito claras e disponíveis, em especial, a física.

Meu joelho em X, as costas largas, e o pe quase chato, eram meus inimigos neste momento e de fato brecaram minha entrada nesta instituição.

De qualquer forma, a dança se manteve em minha vida mas não mais tão constante, pois flutuava de acordo com a condição financeira de minha família. Quando podia fazia algumas aulas de ballet, jazz e até mesmo dança moderna, mas nada que fosse até o final. Assim foi até os 15 anos, quando a situação ficou preta, e nada de dança anymore!!

Com 17 anos vi minha  primeira apresentação de dança árabe e fiquei vidrada, o resto é conversa, e tudo o que me aconteceu desde então.

Dancei em quase todo tipo de situação. Comemorando aniversário de alguém querido ou contratada para divertir os convidados de outras pessoas, congressos, seminários, casa de chá, etc. Dancei gratuitamente, de coração e recebendo muito bem por isso também.
Dancei nos melhores e piores momentos da minha vida. No meu primeiro casamento, para me despedir de amigos queridos, para finalizar fases de minha vida, na morte de meu filho Kim e na morte de minha mãe Mirian. Dancei também para me despedir da casa onde vivi muito da minha vida bailarina.
A dança também me salvou em 2008, quando então com 42 anos tive minha filha e minha escola quase faliu. Nem a depressão que tive naquele momento foi mais forte do que o papel que a dança exercia em minha vida

Passaram-se muitos anos, e esta pratica se transformou em algo tão intrincado e profundo, que passou a fazer parte de tudo em minha vida.

Não posso mais distinguir a bailarina e a Luciana, pois elas são algo único. Não existe a personagem e a pessoa, existe a pessoa que dança e ponto. 

Hoje prestes a completar 47 anos percebo que nunca conhecemos as pessoas de fato, mas eu aprendi a me conhecer com  o tempo. Me  transformei em algo que nem eu sabia ser possível.

De lagarta em borboleta, de  promessa a concretização, de uma possibilidade para um caleidoscópio de opções.

Por muito tempo acreditei que não era capaz de muitas coisas, e hoje eu sei, que sou capaz de qualquer coisa  que eu queira.

Por ser uma figura quase pública, já foi invadida, atacada e também muito acarinhada a distancia.

Todas as vezes em que duvido da posição em que estou, ou da atividade que desenvolvo, aparecem os motivos para me manterem exatamente onde me encontro hoje.

Trabalho, muitas vezes demais, não descanso o suficiente, e também não estudo o quanto gostaria, mas sei que estou na área certa fazendo a coisa certa.

Obrigada Denise por me escrever, vc é mais um dos motivos que me faz querer estar onde estou.

Olho em volta, e vejo que alcancei tudo o que sempre quis, e devo isso a dança, Pois através dela , me vi como pessoa, como mulher e como alguém que tem algo a oferecer e muito a dizer.

Não devo a mais ninguém meu sucesso ou meu fracasso se um dia ele se aproximar...Somos responsáveis diretos pelo que nos acontece na vida, sejam estes acontecimentos bons ou ruins.

Ninguém me fez, e eu não fiz ninguém.

Fiquei por muitos anos dentro do casulo , não como lagarta mas ainda uma borboleta com asas fechadas. Tive medo como qualquer um teria ao entrar num mundo novo, e o que descobri?

Que sair do casulo , só me fez crescer muito mais, e ter liberdade para abrir as asas em qualquer direção e podendo ir para qualquer lugar. Não dependo de alguém em especial para continuar existindo, e nem tenho alianças políticas para garantir meu sustento.

Agradeço a todos que me empurraram sempre, pois os empurrões me levaram na direção que eu precisava  ir.

Hoje encontro quem deveria encontrar, e amo quem merece ser amado...desta forma eu também recebi do Universo o que estava guardado para mim.  
O que dizer? Gratidão
Grata por de alguma forma, ter sido afastada de tudo a que não mais pertencia , de todos a quem não mais queria, e então ter podido finalmente encontrar meu caminho, e meus amores reais!
Boa tarde a todos que tiveram por milagre o tempo suficiente para ler este texto!