sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Dança Oriental no Brasil - pequena linha do Tempo!

 
 
 
 

A dança oriental no Brasil

Início de Tudo

Linha do tempo

70s - 1ª geração



1976 Samira Mattar , Rita Bianchi e Vera Bello ( Najua ) Iniciavam pequenas apresentações de dança do ventre , com música ao vivo  em festas e celebrações particulares. Através de Anuar Uchoa, e com a presença de músicos da família Mozaiek que até hoje é muito famosa no Brasil os shows passaram a acontecer em restaurantes e grandes clubes .
Conjuntos que faziam parte desta época:
Emilio Bonduk , Elias Almazar , Nabil Nage, Said Azzar e Ismaili.
A dança era propriamente um artigo de pouca divulgação mas tinha seus pontos fixos. Um deles um restaurante que já não existe há muitos anos , se tornou uma MECA para a dança em Sp , seu nome era Bier Maza- Foi o mais famoso restaurante nas décadas de 70 e 80.
Outros restaurantes que abrigavam as apresentações – Zorba o greto e Porta Aberta e também Semiramis.
Começou a ministrar aulas em 1997 e hoje juntamente com sua filha Shalimar Mattar organiza o maior festival de dança oriental do Mundo chamado Mercado Persa. Tem lugar em São Paulo uma vez ao ano sempre em abril, e traz aproximadamente 6000 pessoas para visitação em 3 dias de duração.

Madeleine Iskandarian
Nascida em 1 de setembro em Belém ,Palestina. Criada em Aleppo na Síria e em Beirute no Libano.
1957 Chegada ao Brasil ( 19 anos )   - por 18 anos trabalhou como cabeleireira
1979. Iniciava sua carreira como bailarina oficialmente no restaurante Bier Maza em SP Shahrazad Sharkey. Trabalhou com músicos famosos como o alaudista Wadi Koury e o percussionista libanês Fuad Calil Haidamus – pioneiro da percussão árabe no Brasil
Também foi parte integrante do restaurante Porta Aberta, um lugar extremamente importante para a dança árabe até a decada de 90.
Foi professora de muitas brasileiras incluindo a mim ( Lulu ) que tenho apenas ela como referencia de aulas em meu país.
Desenvolveu um método próprio de ensino visando a feminilidade e a relação da dança com o parto e também como aliada para a vida sexual. Apesar de ter uma formação libanesa, seus olhos se voltaram para o Egito. Dançava essencialmente improvisando e acreditava que este era o caminho mais natural.
 Sua marca reside nas mulheres que com ela aprenderam e depois compartilharam seus conhecimentos com outras. Ela vive no corpo de muitas bailarinas hoje ativas e presentes no mercado brasileiro e também exterior. Ela é o pedaço oriental que adotou o Brasil e por essa razão carrega consigo um símbolo único de representatividade em nosso pais.
80s 2ª geração
Gisele Bomentre
 
1983 -Formada em ballet clássico inicialmente, se interessou por dança oriental ainda bastante jovem. Em 1983 já se apresentava nos lugares que ofereciam dança no Brasil :Porta Aberta e Khan el Khalili que neste momento tinha acabado de abrir suas portas.
Sempre teve grande carisma e foi a primeira brasileira a ingressar numa carreira internacional , tendo tido grande sucesso e desenvolvido seu trabalho por areas antes nunca tocadas por nós do Brasil
Seu roteiro internacional começou aqui na cidade do México no restaurante Adonis, onde permaneceu em um contrato por 16 meses
Depois do México sua vida ganhou rumo junto aos países árabes : num primeiro momento a costa do Marfim na Africa, em Abdjan e de lá para o Oriente Médio: Libano, Dubai , Abu Dabi, Oman Jordania , Tunísia e Siria.
Como primeira brasileira a pisar nestes lugares creio que devemos a ela a abertura do caminho para as outras brasileiras que viriam depois.
No mesmo periodo início dos anos 80 creio , Camelia, foi a primeira brasileira a se apresentar no Egito, onde permaneceu por muitos anos, tendo sucesso e sendo respeitada enormemente. Numa de minhas viagens a este país eu vi diversos outdoors que traziam o rosto dela. Um orgulho para nós fora de casa!
 
1983
Lulu Sabongi – Lulu from Brazil

1983- Iniciei com Shaharazad
Aulas em 1983, começando a dançar seis meses depois na casa que compartilhava com meu parceiro naquele momento. Jorge Sabongi.
Me apresentei também no Porta Aberta, mas de fato todo o meu processo de aprendizagem e desenvolvimento se deu em minha prórpria casa chamada Khan el Khalili.

Fatima Fontes
1986
Najua Mirela Poletto Juntamente com Shams Sirham ,Fátima Fontes , e Karima Giz entram na Khan el Khalili, que agora havia substituído os outros restaurantes como um lugar fixo de apresentações de dança. Esta seria a segunda geração de dança no Brasil considerando as que iniciaram nos anos 70 e agora as que apontavam na década de 80.

90s  3ª geração
 
Hoje em dia Mirela está aqui na Cidade do México , Shams na Escócia e Karima na Alemanha. Fátima Fontes continua no Brasil desenvolvendo um trabalho terapêutico ligado a dança oriental.
 
 1993- dez anos depois de iniciar os estudos- Primeiro conteúdo Didático no Brasil
 

Primeiro vídeo didático de dança do ventre no Brasil – a dança foi para as casas e para onde ninguém mais podia chegar. Isso causou o início de um desenvolvimento fora de SP que até então era o único ponto de apoio da dança.

Shahar Badri 90s


A companhia que decidiu fazer esta produção era formada por um especialista em Musica e história da Arte Jose Antonio Prazeres e os proprietários de uma renomada livraria esotérica no Brasil chamada Horus , Léa e Jean, eu neste momento era a mascote da turma.

Neste momento o público conheceria Soraia Zaied que foi minha convidada para o primeiro vídeo didático da dança em meu país.

    

 
1997- Lançamento de uma coleção de mais 10 videos didáticos – Lulu Sabongi

Em 1997 viria uma coleção muito mais ampla, já com produção própria onde como convidadas, estavam muitas das bailarinas que de fato , posteriormente fizeram parte da historia da dança no Brasil e criaram seus próprios estilos. Entre elas : Shams, Shahar Badri, Kahina, Elis Pinheiro, Jade al Jabel, Palluh, Safira, Brysa Mahaila, Muna Zaki, Nur, Danny Negri, Dunia, e muitas outras artistas especiais que acabaram fazendo da dança sua vida.

Neste momento já viajava pelo Brasil dando aulas em diversos estados, os dvds traziam não apenas a mim mas as bailarinas que tinham sido minhas alunas ou de outras pessoas, e que eu considerava talentosas, e especiais. Viajávamos sem sair de casa através desta mídia que seria o primeiro passo para o que viria depois, em forma de dvds e cds, que hoje são a base de nosso trabalho 
Karima Giz - 90s
Pouco a pouco o mercado se modernizava, e outras bailarinas apareciam.
Estes são hoje em dia nomes muito importantes na dança, mas nem de longe são os únicos, temos uma fabrica de talentos para esta arte no território brasileiro!

Importante  mencionar que   Shahar Badri e Soraia Zaied, foram as duas primeiras professoras de minha escola, que aceitaram o desafio de estar comigo no ensino da dança em SP o que ocorreu a partir do ano de 1990 , Iniciei as aulas sozinha, e o ingresso das duas convidadas, a partir de 1994 transformaria o que era apenas uma idéia no que é hoje a maior e mais tradicional escola de dança Oriental do Brasil.

1998 


Aysha Almee 90s
 


 
Minha primeira viagem ao Egito foi em 1998 , neste momento uma grande bailarina brasileira tinha seu nome destacado neste país


Munira Magharib 90s
 



Jade al Jabel 90S





Camelia . já vivia no Cairo há muitos anos e depois de sua experiência neste país morou em outras partes do mundo sempre compartilhando o que pode apreender de sua experiência árabe. Já falava fluentemente o idioma na primeira vez em que a encontrei, em 1998. Tinha uma banda enorme com mais de 20 músicos e seu show tomava lugar nos melhores hotéis do Cairo
 



20004ª Geração
90s

 
 
 


A partir do ano 2000, muito desenvolvimento na dança Brasileira, passando a ser reconhecida em outros países e especialmente nos Emirados árabes através do empresário Omar Naboulssi que passou a ser a ponte entre o Brasil e a estrutura artística nos emirados.
2001 Numa viagem ao Cairo , Lulu Sabongi ( então meu nome artístico) Shahar Badri e Soraia Zaied, foram as primeiras estrangeiras a dançarem no close gala do então Novo ainda, Awlah wa Sahlan.

Hoje em dia estar neste festival como professora convidada ou mesmo artista em performance, é muito mais uma ação comercial do que qualquer outra coisa, mas naquele tempo, o convite tinha uma aura muito especial.
 

Em 2003 Celebrava 20 anos de carreira! Memorial da América Latina em São Paulo.


 

Reunimos neste teatro um elenco de aproximadamente 400 pessoas. Muitas delas eram as profissionais que haviam nascido e crescido junto comigo. Cias de diversas cidades formaram aquele show que foi único pelo investimento e pela qualidade. Os tempos mudariam e não seria mais possível fazer algo tão grande.

A partir daí tudo explodiria

Iniciei carreira internacional em 2000

Grandes festivais de dança passaram a acontecer em diversos locais

Nunca nada foi o mesmo, e hoje ainda somos apaixonadas por esta dança.

O pólo não era mais apenas São Paulo mas o Brasil todo se transformou em pequenos mundos orientais

Escolas cresceram e se desenvolveram, pela raça e amor de mulheres que se encantaram com esta dança e para viver dela transformaram suas vidas!

Algumas pessoas que a partir do ano 2000 estão se transformando no que chamaria a quarta geração da dança em nosso pais!
 
Kahina / ano 2000
 
Nesrine 2003

Novos nomes serão adicionados ao longo das semanas, pois preciso checar com cuidado o início da vida profissional para não cometer enganos

Conto com vcs, neste processo
Observo que estou focando a linha do tempo em SP pois é onde tenho mais contato e conheço de perto a carreira de muitas que menciono aqui

Boa noite
Lulu
 



 
 
 

 

 
 

 

 

 
 
 
 

 






 

 
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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Dançar a alegria e a tristeza - meu destino e meu desejo!


 
 

 

 
 
 
Simplesmente dance

Alguns dizem que dançar o sofrimento mostra  falta de caráter, que análise pobre e sem sentido!

Dançar sempre , não importa por que e nem para que!

De alguma forma este  tem sido meu lema, mesmo sem saber nem qual era o significado desta palavra.

Danço desde muito novinha, antes mesmo de entender que era isso o que fazia rodopiando feito doida e batendo a cabeça na parede, pois demorou um ano e meio para minha mãe perceber que eu realmente não enxergava direito, e aí eu era uma rodopiante bem pequena usando óculos

Comecei o ballet com sete anos , e nunca me esqueci de minha primeira professora, chamada Ivani. Sua escola era pequena mas muito organizada, bem pertinhho da estação São Judas do metrô em São Paulo.

Lá aprendi meus primeiros passos e cheguei até a ponta. Dancei mesmo um sólo que foi o orgulho de minha mãe, uma valsa de Strauss chamada , pão suor e vinho.

Por volta dos onze anos de idade, tive que abandonar esta escola, e minha única opção era a escola Municipal de Bailados em SP, onde eu sabia que tinha poucas chances, pois por ser pública e gratuita, a escola preferia selecionar alunos que tivessem de fato todas as aptidões muito claras e disponíveis, em especial, a física.

Meu joelho em X, as costas largas, e o pe quase chato, eram meus inimigos neste momento e de fato brecaram minha entrada nesta instituição.

De qualquer forma, a dança se manteve em minha vida mas não mais tão constante, pois flutuava de acordo com a condição financeira de minha família. Quando podia fazia algumas aulas de ballet, jazz e até mesmo dança moderna, mas nada que fosse até o final. Assim foi até os 15 anos, quando a situação ficou preta, e nada de dança anymore!!

Com 17 anos vi minha  primeira apresentação de dança árabe e fiquei vidrada, o resto é conversa, e tudo o que me aconteceu desde então.

Dancei em quase todo tipo de situação. Comemorando aniversário de alguém querido ou contratada para divertir os convidados de outras pessoas, congressos, seminários, casa de chá, etc. Dancei gratuitamente, de coração e recebendo muito bem por isso também.
Dancei nos melhores e piores momentos da minha vida. No meu primeiro casamento, para me despedir de amigos queridos, para finalizar fases de minha vida, na morte de meu filho Kim e na morte de minha mãe Mirian. Dancei também para me despedir da casa onde vivi muito da minha vida bailarina.
A dança também me salvou em 2008, quando então com 42 anos tive minha filha e minha escola quase faliu. Nem a depressão que tive naquele momento foi mais forte do que o papel que a dança exercia em minha vida

Passaram-se muitos anos, e esta pratica se transformou em algo tão intrincado e profundo, que passou a fazer parte de tudo em minha vida.

Não posso mais distinguir a bailarina e a Luciana, pois elas são algo único. Não existe a personagem e a pessoa, existe a pessoa que dança e ponto. 

Hoje prestes a completar 47 anos percebo que nunca conhecemos as pessoas de fato, mas eu aprendi a me conhecer com  o tempo. Me  transformei em algo que nem eu sabia ser possível.

De lagarta em borboleta, de  promessa a concretização, de uma possibilidade para um caleidoscópio de opções.

Por muito tempo acreditei que não era capaz de muitas coisas, e hoje eu sei, que sou capaz de qualquer coisa  que eu queira.

Por ser uma figura quase pública, já foi invadida, atacada e também muito acarinhada a distancia.

Todas as vezes em que duvido da posição em que estou, ou da atividade que desenvolvo, aparecem os motivos para me manterem exatamente onde me encontro hoje.

Trabalho, muitas vezes demais, não descanso o suficiente, e também não estudo o quanto gostaria, mas sei que estou na área certa fazendo a coisa certa.

Obrigada Denise por me escrever, vc é mais um dos motivos que me faz querer estar onde estou.

Olho em volta, e vejo que alcancei tudo o que sempre quis, e devo isso a dança, Pois através dela , me vi como pessoa, como mulher e como alguém que tem algo a oferecer e muito a dizer.

Não devo a mais ninguém meu sucesso ou meu fracasso se um dia ele se aproximar...Somos responsáveis diretos pelo que nos acontece na vida, sejam estes acontecimentos bons ou ruins.

Ninguém me fez, e eu não fiz ninguém.

Fiquei por muitos anos dentro do casulo , não como lagarta mas ainda uma borboleta com asas fechadas. Tive medo como qualquer um teria ao entrar num mundo novo, e o que descobri?

Que sair do casulo , só me fez crescer muito mais, e ter liberdade para abrir as asas em qualquer direção e podendo ir para qualquer lugar. Não dependo de alguém em especial para continuar existindo, e nem tenho alianças políticas para garantir meu sustento.

Agradeço a todos que me empurraram sempre, pois os empurrões me levaram na direção que eu precisava  ir.

Hoje encontro quem deveria encontrar, e amo quem merece ser amado...desta forma eu também recebi do Universo o que estava guardado para mim.  
O que dizer? Gratidão
Grata por de alguma forma, ter sido afastada de tudo a que não mais pertencia , de todos a quem não mais queria, e então ter podido finalmente encontrar meu caminho, e meus amores reais!
Boa tarde a todos que tiveram por milagre o tempo suficiente para ler este texto!

 

 

terça-feira, 30 de julho de 2013

O desafio da espera, para uma eterna impaciente!


Dizem que a paciência é uma virtude maravilhosa. Nesta vida pelo menos, eu vim desabilitada neste acessório.
Parece que minha paciência só serve mesmo para os sentimentos, e para os desapontamentos. Ambos tem que chegar a um nível absolutamente inaceitável para que eu tome qualquer ação positiva a meu próprio favor.

Tenho refletido com relação a isso , observando como se não fosse meu, o tempo de vida que já trilhei , nestes 46 anos, 8 meses, e 30 dias...

Confesso que me recordo demais da minha mãe e de suas pragas. Sim, porque praga de mãe sempre pega.

Ela me disse inúmeras vezes, que eu um dia saberia o que significava ser mãe, e também compreenderia as dificuldades da vida adulta, e o papel que temos na vida de nossos filhos. Assim como compreenderia o grau de paciência a que uma mãe é submetida.

Agora, me recuperando de uma cirurgia na coluna, que eu jurei que não ia fazer, sou obrigada mesmo sem querer, a ficar quietinha, pelo menos fisicamente. E a cabeça começa a agir , numa velocidade que ao corpo não é permitida!

Relembro muitas coisas, repenso outras, e ainda assim a dita paciência não passa para me fazer uma visita.

Minha maior dificuldade em aceitar a cirurgia, que provava ser necessária,  era a condição paralela de estacionar tudo, por pelo menos 8 semanas.

Nunca, desde que comecei a trabalhar, aos 17 anos, eu parei por 8 semanas. Como saberia lidar com isso?  E o pior , como poderia gerenciar  financeiramente este período de resguardo que seria obrigada a cumprir?

As coisas foram clareando quando meu médico ( santo homem ) revelou que tinha um prognóstico muito melhor para mim. Ele me disse:
_ Veja bem Luciana, meus pacientes, são em geral idosos, sedentários e trocaram seus músculos por gordura. No seu caso tudo muda de figura, músculos fortes, uma vida mais do que esportiva e uma vontade imensa de voltar a ativa. Para um paciente comum eu diria dois meses e meio fora da vida normal ( neste momento eu juro que quis fugir) para vc, creio que em 3 semanas, vida suave, dando aulas delicadamente, e depois de 5 semanas quem sabe podemos mudar de idéia e acionar seu turbo?
Bom, não era perfeito, mas era bem melhor do que a base média de retorno as atividades.

Resultado ? Eu fiz a cirurgia.

Hoje em casa , lido com a paciência.
Paciência em esperar que este corpo cicatrize, paciência para lidar com a preguiça de pessoas importantes na minha vida. Eu, querendo fazer tudo e mais um pouco, mas sendo limitada por minha condição física, outros em pleno vigor físico querendo fazer nada!

Vai aí Luciana, engole o que não quer engolir de jeito nenhum....

Para os amigos que me escreveram, todos sem exceção, meninas e meninos , aqui vai meu alô:

Desde o primeiro dia, eu caminhei sozinha, e tenho feito os exercícios que a fisioterapeuta do hospital me deu ( cá entre nós , eles são fichinha, mas eu faço assim mesmo)

Agacho , levanto, ando, deito e sento. Algumas destas ações eu faço além da conta, e acho que teria que estar dopada para fazer menos, mas estou dando meu melhor porque quero voltar o mais rápido possível. Dançar ainda não dancei , só mesmo na fantasia!

Como sempre aproveitei para estudar um pouco e descobrir o que significam algumas expressões que andei ouvindo ultimamente:  bainha de mielina, condução nervosa, impulso saltitante, etc.
Nunca é demais aprender não é?

Neste momento de paciência forçada, como se estivesse engolindo um grande sapo sem nadinha de agua, eu vejo com clareza que não consegui fazer algumas coisas importantes para meus filhos. Nem tudo se designa a todos eles, mas as tarefas ainda me parecem inacabadas.

Fico aqui pensando em quantas de nós mães, conseguiram de fato o sucesso na listinha que escrevi para mim mesma:

  •   Ensinar seus filhos a serem absolutamente responsáveis por seus atos, sem desculpas esfarrapadas ou pedidos atrasados de perdão.
  •  Caminhar independentes pela vida, criando suas trajetórias desde a mais tenra idade( essa é bem difícil )
  •   Voar sem que precisemos para isso tirar seu chão, sem ameaças, sem brigas ou infringindo dores emocionais desnecessárias.
  • Saberem dizer não , quando o não é necessário e terem a coragem de dizer sim, quando ele for mais do que bem vindo.
  •   Atuar de peito aberto, recebendo deste mundo tudo o que ele traz, tendo um olho aberto e outro fechado. Fantasia e realidade são amigos e não inimigos...
  •   Saber discernir que o Amigo de verdade é aquele que te conhece, de fato, e ainda assim te ama. Os outros são conhecidos, colegas mas não merecem a palavra amigo.
  •  Não precisar que alguém lhe obrigue a pensar em sua própria vida, pois vc mesmo filho, já sabe que ela é sua e não de seus pais, portanto a tarefa de lutar por ela é única e também exclusiva de apenas uma pessoa, VOCÊ.
  •   Dizer a sua mãe a verdade, pois ela é sempre melhor do que qualquer mentira bem contada, e também aguentar ouvir a verdade , se for isso o que ela tem a lhe dizer.
Enfim , acho que a lista seria grande e minha sensação de responsabilidade maior ainda. Muitos de nós queremos ser para nossos filhos, um exemplo talvez, algo a seguir, o modelo mais bem acabado do que foram nossos pais.

Não há receitas, e cada filho é um baú de surpresas, mas creio que nós, mães podemos fazer muito mais, se separarmos a proteção da criação.

Confortar e desafiar. Ensinar e aprender, mas acima de tudo acreditar, que eles pertencem ao mundo e não a nós. Prepara-los para que sejam adultos responsáveis, seria o melhor presente que poderíamos lhes dar.

Fica aqui a reflexão de uma mãe bailarina, que ao viajar é cigana, mas que adora ser dona de casa, e no momento não pode fazer nem uma coisa e nem outra.
A todos que tiveram a paciência e o tempo para ler até aqui, uma boa noite, e até um novo encontro – seja lá onde for!

Lulu