terça-feira, 14 de agosto de 2012

30 anos de uma História mantida pelo Feminino

Há exatos 29 anos ntrei pela primeira vez na Khan el Khalili.
Nesta epoca, dezembro de 1983, tudo o que ela tinha de árabe ou oriental, era o nome e um panô desenhado com um faraó , em algodão cru, com cianinha dourada em volta.
O idealizador da casa Jorge Sabongi é a pessoa que ainda a dirige hoje em dia, 30 anos depois de sua inauguração!

 Aqui está o panô famigerado. E este não foi o primeiro uniforme da casa, o primeiro era uma calça tipo Gennie é um gênio, e uma blusinha curta, eu amava, parecia que íamos sair da lampada a qualquer momento!!

Desde estes tempos o idealizador do lugar, Jorge Sabongi, já tinha altas expectativas para seu sonho.

Eu cheguei em 1983 , exatamente um ano e pouco depois da abertura da casa, e mulheres sempre revolucionam não é?
Fui emancipada por meus pais e me tornei sócia da casa com apenas 17 anos!

Também carreguei bandeja, limpei cozinha, e tudo o mais que podem imaginar.
De lá para cá muito aconteceu
Histórias a parte a casa cresceu bastante!

Fiquei na casa por 25 anos.
O crescimento dela se deu em grande parte por poder usar duas energias que são complementares, a masculina e a feminina. O construtor, e a mantenedora. O provedor e a cuidadora! Algumas coisas nunca mudam, e da mesma maneira em que algumas atividades privilegiam os homens, outras privilegiam as mulheres.
A dança se estabeleceu e junto com ela a luz da casa brilhou.
Minha independência já vai completar 5 anos e continuo mais ativa do que nunca. Minha escola saiu deste espaço em 2007 e eu não danço mais lá desde 2009.
Mais uma prova do poder da dança!!
Podemos estar juntas ou não desde que nossa comunhão com o que nos uniu e iluminou, não desapareça!

O sonho daqueles que entram naquele espaço só se torna completo depois do show , pois ele carrega a egrégora da dança, mantida e alimentada por todas as mulheres, que pensam em lá dançar ou que por um tempo, por lá permaneceram.

Então neste momento em que a Khan el Khalili faz 30 anos, juntamente com os meus 29 anos de dança, vale lembrar o papel de todas as mulheres, que fazem desta casa o que ela foi e a razão porque ainda está lá!
Quem trabalha na cozinha,né? Dona Rosa e Gil, será que a Zéfinha também ainda anda por lá?Quem limpa tudo depois do expediente, né Quitinha?  Quem serve as mesas, e cuida dos visitantes, Rom, Divina, e Sandrão,  e ainda temos a Martinha! aquela que fica no caixa- Né Roseli?, as meninas da recepção e muito especialmente, as dezenas de bailarinas que fizeram e fazerm a história deste lugar.

Khan el Khalili sem as mulheres, não seria o que é
Khan el Khalili sem a dança? Não sei o que seria
Tudo está intrinsecamente ligado para sempre.

Meus parabéns a vocês todas, que apesar de seus medos, dissabores, alegrias e sonhos, mantem a casa viva, além do ponto em que os primeiros criadores de arte já se foram de lá.

Uma celebração especial, para as bailarinas que já não estão no quadro, mas que fizeram uma enorme diferença na trajetória desta casa :
Laila - uma das mulheres mais fascinantes que já conheci na vida!
 Laila

Fátima Fontes- e sua retidão que a levou sempre para um caminho claro e certeiro
Najwa - Hoje no México com sua escola
Dalila- que eu vou encontrar na próxima semana
 Nesta foto em cima da esquerda para a direita :
Dalila e Laila, no meio eu, horrível, embaixo , esquerda Fátima Fontes e a direita Najwa

Shahar- a alegria contagiante, que hoje em dia está na Inglaterra- Professora queridíssima com uma legião de fãs!
Hayet- que já se foi!
Soraia - a dos velhos tempos
 Esta foto é antológica : Vivi al Fatna, Lydia Samos, Soraia, Jorge, Rose, Rosana Chalita, Nevenka e Agata

Jade al Jabel - que hoje em dia é até mesmo fluente em árabe! Paixão sempre nos leva além!
Shams- que continua nosso anjo loiro encarnado
 Aqui ela dançava para homenagear o dia das mães, e estava grávida de cinco meses

Palluh- que hoje é uma terapeuta incrível

Safira- atuando no centro do nosso Brasil, mas também já andou por este mundão!

Kareema com seu carisma - Hoje em dia na Alemanha ativa e criando
Dunia- hoje em Bragança Paulista- mostrou sua arte pela Alemanha por muitos anos
Dunia La Luna - uma dançarina que hoje é terapeuta do Feminino, incrível
Serena - agora Ramzy e morando em Londres

Munira Magharib - o sucesso de sempre, uma bailarina e professora incrível
Aysha Almee- sempre surpreendente
Rosana Chalita - e seu sorriso iluminado

Samya Ju - Sua leitura de folclore era impressionante, um baladi de tocar o coração...

Amar - Dança até hoje mas também se reinventou - tem um estudio de Pilates e se graduou em Fisioterapia


Sandra e sua força de vida
Zur - que não sei por onde anda  mas era linda com a serpente
Lulu Sabongi - Oslo 2003 - o passado
 que também hoje é apenas Lulu - 2012


Viva as mulheres, receptoras e mantenedoras da dança em nosso país e no Mundo!

14 comentários:

Cris disse...

Ser Lulu, não é "Apenas" Lulu...
Ser Lulu é a essencia da dança do ventre brasileira, e é isso que importa para todas nós que amamos essa arte tão maravilhosa.
Não importa o nome que vc tenha adotado, a essencia e o talento são tudo o que importa.

beth disse...

Adorava a casa de chá de paixão... ficou para trás... essas mulheres que voce citou dançavam diferente das de hoje (não desmerecendo as de agora) mas a ultima vertente saiu de lá... (lulu)... perdeu-se muito... ganhou-se pouco... mas tudo bem ... é a minha opinião.

beth disse...

Houve um tempo que a casa de chá foi um sinônimo de dança... essas mulheres incríveis deixaram uma saudade inexplicável... as meninas que estão lá hoje (e outras que estão na shangri-lá... não desmerecendo o trabalho delas) mas não dá para comparar uma coisa com a outra. A casa de chá perdeu seu ultimo poente... lulu... acabou a graça... só isso... opinião particular.

Aysha Almeé disse...

(...) aahhh (...)...(suspiros)... (silêncio)...

Mariana disse...

Lulu! Que privilégio! Que privilégio viver em uma época em que eu posso dizer que existe uma lenda, uma mulher como você entre nós!
Valorizar o trabalho de muitas que como você trilharam esse caminho da dança é tarefa para poucas! Você reuniu nesse post grandes bailarinas que estudei apenas em fitas de vídeo, e me bateu aquela saudade dolorida de coisas que não tive a oportunidade de viver....

andancasdelory disse...

Peço licença pra mencionar a linda Samya-Jú, de quem sou fã eternamente!

Luciana Uzunof Hartenbach disse...

andancasdelory
Muito bem lembrado, eu já ando meio tonta...está aí nossa querida Samya também!!

Ana Paula Ferreira da Silva disse...

Nossa pérola da dança, que bela homenagem. Nunca fui a Casa de Chá, sempre foi meu sonho. Agora tenho mais um lugar para querer ir visitar e me encantar, é a Shangrila, rs. Quem sabe um dia!

Juliana Batista disse...

Que texto delicioso de se ler...estou como a Aysha Almeé :
(...) aahhh (...)...(suspiros)... (silêncio)...

Camilla D'Amato disse...

Porque história não se apaga !

Luciana Uzunof Hartenbach disse...

Queridas

Acho que não há de fato como esquecer e muito menos apagar a importância das mulheres no coletivo para a existência e sobrevivência de qualquer lugar que seja, baseado nesta arte de que todas somos cativas.

Não importa o local, podemos citar outros como Ali Babar em seus aureos tempos, ou Porta Aberta e até mesmo Bier Maza, para as pessoas que sabem do que estou falando.

Todos os lugares que tiveram sua existência conectada, a prática da dança, devem a ela reverência.



Janaina disse...

Fico feliz por ter acompanhado gde parte dessa história, mais feliz ainda por ver que a Dança ganhou força e respeito, porém não sei se o termo "reinventar" cabe numa cultura, afinal ñ se pode perder a essência, do mais use "somar", qto mais aprendemos, mais somamos e por isso que deixei de admirar bailarinas que se transformaram completamente, hj tem tanta fusão de tantos elementos que chegam a confundir... Enfim, sou "old school", admiro as bailarinas que tem estilo próprio, contudo respeitam a cultura e ñ desejam modificá-la. E perdoe minha humilde opinião e franqueza, mas K.K. sem Lulu é como cerveja sem álcool!!!

Doces Poemas disse...

Parabéns pelo texto Lulu. Lindamente escrito! Estudei c a Amar durante um tempo, adorava suas aulas. Infelizmente perdemos contato. Lembro dos primeiros dvds seus q comprei, da Soraia, Fátima...Bons tempos.

Ana Ged disse...

Nó na garganta...Aperto no peito...
Privilégio ter sido iniciada por você, Lulu; privilégio por ter conhecido e acompanhado muitas destas mulheres, por ter vivido este tempo.
Nossa amada dança...cheia de magia e alma...
Não sinto mais isso. Será que sou eu?
Beijos carinhosos, Ana Gedeão (Nahima
Ged)