segunda-feira, 19 de março de 2012

A covardia e o espelho - amigos que não se falam!

" Quando eu nasci veio um anjo safado, um chato de um querubim, que decretou que eu tava predestinado a ser errado assim, já de saída minha estrada entortou mas vou até o fim...."
Chico Buarque é mesmo o máximo!

Li um texto, ou melhor dizendo um lixo escrito com as letras do nosso alfabeto que me fez pensar, no que seria a história de fadas com os personagens, a covardia e o espelho.

O desejo de nos ligarmos ao irreal, ou a criatividade de um mundo que é apenas, e tão somente a sombra do mundo real.



Diz um mito muito antigo, chamado " Mito da Caverna" de acordo com a Wikipédia:
( Meu primeiro contato com este mito foi na escola, colegial, com uma professora de literatura inesquecível )

http://paradigmadivino.files.wordpress.com/2011/05/alegoria-da-caverna3.jpg

Imaginemos um muro bem alto separando o mundo externo e uma caverna. Na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali.

Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder mover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira.

Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vêm de fora, de modo que os prisioneiros, associando-os, com certa razão, às sombras, pensam ser eles as falas das mesmas. Desse modo, os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade.

Imagine que um dos prisioneiros consiga se libertar e, aos poucos, vá se movendo e avance na direção do muro e o escale, enfrentando com dificuldade os obstáculos que encontre e saia da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, e mais além todo o mundo e a natureza.

Caso ele decida voltar à caverna para revelar aos seus antigos companheiros a situação extremamente enganosa em que se encontram, correrá, segundo Platão, sérios riscos - desde o simples ser ignorado até, caso consigam, ser agarrado e morto por eles, que o tomaram por louco e inventor de mentiras.

Platão não buscava as verdadeiras essências na simplesmente Phýsis, como buscavam Demócrito e seus seguidores. Sob a influência de Sócrates, ele buscava a essência das coisas para além do mundo sensível.

 E o personagem da caverna, que acaso se liberte, como Sócrates correria o risco de ser morto por expressar seu pensamento e querer mostrar um mundo totalmente diferente. Transpondo para a nossa realidade, é como se você acreditasse, desde que nasceu, que o mundo é de determinado modo, e então vem alguém e diz que quase tudo aquilo é falso, é parcial, e tenta te mostrar novos conceitos, totalmente diferentes.

 Foi justamente por razões como essa que Sócrates foi morto pelos cidadãos de Atenas, inspirando Platão à escrita da Alegoria da Caverna pela qual Platão nos convida a imaginar que as coisas se passassem, na existência humana, comparavelmente à situação da caverna: ilusoriamente, com os homens acorrentados a falsas crenças, preconceitos, ideias enganosas e, por isso tudo, inertes em suas poucas possibilidades.


O que se faz, se existem pessoas, que vivem, e viverão em suas cavernas pessoais para sempre, projetando no outro o que não tem coragem de ver em si mesmos. 

Outras que se escondem atrás do apelido anônimo que pode carregarnum mundo , dentro de si, para ter a coragem de dizer o que não diriam publicamente.
Covardia x Espelho

A primeira é a companheira de dias e noites, destas pessoas sem nome e sem escrúpulos, a segunda, é o que elas deveriam usar na frente de seus rostos, para enxergam quem são na realidade.

Tão perfeitas, em sua feiúra , que a simples visão de seu próprio rosto assustaria até  os animais que pertencem a noite! 
Não sou uma menina, e meu corpo não é um corpo fresco de 18 anos, tem marcas e cicatrizes, assim como todo o resto do aparato que tenho para usar nesta vida.
Não me sinto perfeita, e nem encosto no rabinho, como dizia alguém próximo no passado.
Meu orgulho termina onde começa meu desejo de harmonia, mas algumas coisas não tem chance de harmonização, o caos é a casa de algumas pessoas, e não há nada que outros possam fazer a respeito.

                                    http://www.flickr.com/photos/guilhermecapriglioni/4933620592/

sábado, 17 de março de 2012

Esclarecimentos as indagações sobre minhas fontes de pesquisa - Shimmie Ampliando Conceitos

Para quem possa interessar!
Esclarecimentos para as bases de meus textos sobre o caderno de estudos na Revista Shimmie Ampliando Conceitos
Minhas bases de pesquisa para Música, Folclore e quaisquer assuntos, relacionados  a Arte Oriental, sempre se baseiam em pesquisas de leitura ou pessoais, em classe ou em conversas com os professores que fazem ou fizeram parte de minha vida.

Muitos assuntos,envolvem um conhecimento que abarca áreas mais profundas, do que aquelas que pisamos ao sermos apenas bailarinas. Eu não me arrisco nunca a inventar sobre o que não sei ou não posso comprovar. Portanto meu caminho é sempre o mesmo, uso meus livros, uso os textos que considero fidedignos, e minha experiência, além da interpretação pessoal.

Uma das áreas mais difíceis de discursar sobre, é a Música, que para ser descrita ou explicada, depende de conhecimentos técnicos específicos, com o risco de se dizer grandes besteiras, se não bem fundamentadas.
Geralmente meu material é diversificado, e catalogado de acordo com minhas áreas de interesse.

Quando tenho que escrever sobre algo específico, ou quando tenho um interesse em especial, sempre busco misturar diversas fontes, para obter o resultado final, e assim foi também na matéria da ultíma Shimmie.
O resultado dos estudos se transforma no meu material didático que é gratuitamente oferecido em cursos e workshops, e que depende única e exclusivamente de meu estudo pessoal, e desejo de compartir, o que nem é tão comum no meio!
 O compartilhar é mesmo uma arte, das mais refinadas hoje em dia, já que a escolha daqueles com quem vamos dividir , determina em parte os resultados de nosso compartilhamento!

No artigo sobre Tarab , que fez parte de meu caderno de estudos,  há de fato um longo trecho que foi traduzido de um material técnico versando sobre música.. Quando encontrei o material, num blog pequeno baseado em outro país, o texto foi tão  esclarecedor que a parte mais árida sobre o Tarab eu simplesmente traduzi.

Escrevi para o autor do blog, agradecendo o texto tão lindamente desenvolvido, e solicitando que entrasse em contato comigo, pois gostaria de manter contato para compartilhamento de informações sobre a música, e outros assuntos relacionados a cultura oriental, mas nunca obtive qualquer resposta. Isso aconteceu meses antes de ter a solicitação da Shimmie sobre este assunto em especial. Meu contato nunca se deu de fato e a única coisa que sei é que seu Apelido é OUDMAN 586 e que talvez seu nome seja Michael, pois esse é parte de seu endereço de email.

O endereço do blog é :
http://oudman586.blogspot.com
O título do blog dele é :
Arabic Music
This blog is a compilation of my thoughts and experiences with performing and listening to arabic music.

Este blog é uma complicação dos meus pensamentos e experiências, apresentando e ouvindo música árabe.

Aqui está então a informação que pode comprovar de onde saiu a parte técnica do texto.
Outras fontes foram usadas no artigo, e para evitar qualquer incomodo com a Revista Shimmie, aqui está a lista completa dos profissionais que usei como base do que escrevi, e dos sites onde busquei algo que pudesse corroborar o que li:
Fiquem a vontade para pesquisar, e conversar com as pessoas em questão.

Oudman 586
Gamal Seif – contato direto – meu parceiro de dança e Professor – residente em Colônia – Alemanha – natural do Egito
Aladim el Khouly – contato direto – meu professor – residente em Bonn –Alemanha , natural do Egito
Ahmed Elsweefy – meu professor de árabe no momento . Residente em Guiza - Egito
Khaled Seif – contato direto – Meu professor , residente em Zurique - Suíça
Farida Fahmy – contato direto – Minha professora, e inspiração – Também tenho como materiais diretos de Farida Fahmy, os originais de seu trabalho sobre Etimologia da Dança – o desenvolvimento da estética e proposta artística cultural do Grupo Reda. Um livro que descreve em detalhes os caminhos tomados por Mahmoud Reda e por sua trupe , na releitura da vida egípcia que foi então transformada em arte e levada ao palco. Este livro é a base de boa parte de meus textos sobre Folclore juntamente com as conversações que versam sobre o assunto, sempre que tenho a chance de encontrá-la.
Victor Abud Khiar – através de textos
http://www.4arabs.com
http://www.orientaltunes.com
http://www.sudairy.com/music/
www.maqamworld.com

Espero ter me feito clara. Tenho um nome a zelar, e sou uma portadora de informações. Gostaria de ter certeza de que vale a pena compartilhar o que estudo, sem ser acusada de plagiar ninguém. Para tanto passarei a citar detalhadamente todas as minhas fontes, sejam elas escritas ou não.



quarta-feira, 14 de março de 2012

Uma mulher, muitas fases, apenas uma história...


Lulu Sabongi

Uma vida de histórias

Nasci Luciana Uzunof , dificil de dizer, e bem exótico o nome que ganhei do meu pai.

Na escola era alvo de piadas o tempo todo, e a combinação mais comum era Luciana Strogonoff, será que é por isso que gosto tanto do prato?
O sobrenome é de origem búlgara, e aqui no Brasil quando a família chegou, erraram no registro. Na verdade o correto seria Uzunov!

Mais tarde junto com a dança viria meu nome artístico  com o qual viajei por uma boa parte do mundo. Lulu Sabongi é meu nome de dança e está comigo por onde vou!
 Hoje com 33 anos de carreira, conto com 34 países visitados, levando a dança que me ensinou,muito do que sei sobre a vida,  e o significado da  liberdade e amor pela arte.

Desde pequena, sempre apreciei carreiras que não tinham muitas chances de me fazer bem sucedida economicamente, mas minha alma sorria para elas.
Eram elas, professora de História, professora de Português, atriz e bailarina. D, Mirian, que sempre foi a provedora do lar e mulher muito forte, me chamava a atenção dizendo: Filha por favor escolha algo mais interessante monetariamente....

E eu nada. Quando tinha 17 anos conheci a mulher que mudaria minha vida, minha primeira professora Shahrazad. Uma armênia residente no Brasil, naquela época ela já contava mais de 50 anos e foi minha grande referencia no Brasil.
Com ela aprendi que dançar sem sentimentos não valeria nada, e seus olhos de fogo, sempre me mobilizaram profundamente.

Nunca imaginei que iria tão longe, com algo que não me prometia nada num primeiro momento.
Creio que os maiores segredos estão mesmo escondidos numa porta escancarada. Está tudo tão aberto que ninguem pensa que ali reside um segredo.
No aprendizado que se iniciaria aos meus 17 anos, estava escrito uma boa parte do meu destino.
Hoje completos 50 anos, me sinto plena e ainda com muita energia para gastar/ dançar!!

Agradeço a cada pessoa que fez parte da minha trajetória, e aqueles que ainda estão presentes.
Pedras que se foram preciosas ou não, tiveram seu papel em minha trajetória e respeito cada tropeço e cada vitória, pelo que me trouxeram!

Desde 1983 até 2016 , meu caminho se transforma a cada ano.
Fica a experiência, os presentes do acaso, e os tesouros recolhidos pelo caminho...
Espero dançar até meus 80 anos, com um pouco menos de shimmie mas totalmente tomada pelos sentimentos!!!

Lulu criança - 5 anos
Lulu Sabongi 1986 - 19 anos
Lulu Sabongi - 35 anos
Lulu Sabongi - 38 anos
Lulu Sabongi - 42 anos

Lulu Sabongi - Khan el Khalili - 1983 / 2012
Criadora da pré seleção, primeiro processo de reconhecimento de qualidade em Dança Oriental no Brasil.

Lulu Sabongi - 47 anos 


Lulu Sabongi - 50 anos 

Os braços na dança - muito mais do que moldura- uma expressão em si mesmo!

Meu objeto de estudo no momento- final de 2011 
Os braços e suas possibilidades

Não temos mil braços, e nem um corpo de baile tão grande quanto o que se pode ver acima, mas com apenas dois braços, podemos fazer muito por nossa dança e também por nossa expressão.

 Os Braços na dança – sua linha mágica!
Não me atenho a um formato específico mas sim as possibilidades que os braços podem alcançar se trabalhados de forma expressiva e harmônica.
Há tempos venho meditando a respeito. Observava minhas apresentações e não me encontrava satisfeita com a forma dos meus movimentos, relacionados a esta parte do corpo.
No festival Mosaico  Brasil Egito , uma aula em especial reacendeu a chama de estudos nesta direção.
Minha inspiração foi um dos professores presentes, Khaled Seif, e a partir daquela aula tenho desenvolvido um novo formato de preparação para a expressão dos braços e das mãos, dentro da dança oriental.
Ainda estou engatinhando mas uma revolução se manifesta.
Nossa experiência nasce ainda na infãncia, experimentando o corpo e suas possibilidades e continua por tempo indeterminado, tomando novos contornos em nossa vida adulta.
Um corpo mais consciente e alerta, está melhor preparado para as fases que vem depois.

Alguns parâmetros se transformaram, e abriram espaço para um mundo novo.
Buscando reconhecer o quanto e como trabalhar meus membros superiores, estou descobrindo uma nova faceta para o ensino e também para a prática.
Os elementos presentes neste momento tratam de experimentar esta parte do corpo através de diferentes referenciais que seriam:
•    O movimento delineado a partir do pulso e das linhas que ele pode desenvolver no espaço . Rotações e mudanças de direção que fazem toda a diferença
•    A movimentação do cotovelo como mobilizador e ponte entre a extremidade e o tronco. Muitos movimentos tem seu apogeu apenas quando esta parte se encontra ativa e atuante
•    Os ombros e as pequenas contrações em linha perpendicular, como iniciadores de desenhos ,  dando maior definição ao todo. Rotações inversas, buscando maior coordenação motora, e novas combinações de movimentos para esta área
•    As ondulações curtas e focalizadas apenas nas mãos, um capítulo a parte na magia que se estabelece através da fluidez e dos movimentos ondulatórios
Elementos que podem ser acoplados aos movimentos trazendo ainda mais brilho a sua performance:
    Mudanças de dinâmica
    Desenhos espaciais , considerando linhas verticais , arredondadas e curvas. O prazer de desenhar no ar
    Utilização dos braços e mãos para envolver também sua cabeça e expressão do tronco superior na leitura musical


Queridas, bons estudos, eu estou mergulhada no meu!!
E viva os braços na dança.
Logo teremos um vídeo didático de Elis Pinheiro versando sobre isso

Nos vemos!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Frida Kahlo - uma revolucionária no amor e na Arte

Depois de assistir o espetáculo Casa Azul, quiz ler novamente sobre Frida Kahlo, e percebi o quanto o espetáculo foi realista, de fato contando a vida e a intensidade amorosa que fez desta pintora mexicana a pintora do nosso século!

Abaixo um pouco da biografia dela. De certa forma a artista correta para que eu me fixe neste momento!



Para se entender as pinturas de Frida Kalho é necessário conhecer a sua vida.
Frida Nasceu em 1907 no México, mas gostava de declarar-se filha da revolução ao dizer que
havia nascido em 1910. Sua vida sempre foi marcada por grandes tragédias; aos seis anos
contraiu poliomelite, o que à deixou coxa. Já havia superado essa deficiência quando o ônibus em
que passeava chocou-se contra um bonde. Ela sofreu multiplas fraturas e uma barra de ferro
atravessou-a entrando pela bacia e saindo pela vagina. Por causa deste último fez várias cirurgias
e ficou muito tempo presa em uma cama.
Começou a pintar durante a convalescença, quando a mãe pendurou um espelho em cima de sua
cama. Frida sempre pintou a si mesma: "Eu pinto-me porque estou muitas vezes sozinha e porque
sou o assunto que conheço melhor".
 
Suas angustias, suas vivências, seus medos e principalmente
seu amor pelo marido Diego Rivera.
A sua vida com o marido sempre foi bastante tumultuada. Diego tinha muitas amantes e Frida
não ficava atrás, compensava as traições do marido com amantes de ambos os sexos. A maior dor
de Frida foi a impossibilidade de ter filhos (embora tenha engravidado mais de uma vez, as
seqüelas do acidente a impossibilitaram de levar uma gestação até o final), o que ficou claro em
muitos dos seus quadros.
Os seus quadros refletiam o momento pelo qual passava e, embora fossem bastante "fortes", não
eram surrealistas: "Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei
minha própria realidade"
. Frida contraiu uma pneumonia e morreu em 1954 de embolia
pulmonar, mas no seu diário a última frase causa dúvidas: "Espero alegremente a saída - e espero
nunca mais voltar - Frida"
. Talvez Frida não suportasse mais. 


Algumas imagens que talvez ajudem a entender um pouco o que ia dentro da cabeça desta mulher que voava com seus dedos e dançava com as cores, no lugar de suas pernas!!



quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Num tempo de quietude forçada!!

Faz tempo que não escrevo e faltando apenas dois dias pra o final deste tremendo 2012 para não dizer outras coisas mais, decidi parar um pouco.

Hoje o marido foi com a filhinha ver amigas que preferem que eu não esteja por perto mesmo, na verdade, tadinhas, eu levei esse homem precioso embora e nunca mais devolvo, nem fico brava, elas podem aproveitar um pouquinho.

O fato é que estou sózinha e tranquila e posso escrever sem Eva pulando no meu joelho operado...
Pois é para quem não sabe, esfacelei suavemente meu menisco numa viagem de trabalho, parece até piada, depois de 29 anos dançando fui assistir a uma aula porcaria, num chão pior ainda e o que ganhei foi uma cirurgia no meu joelhinho virgem !!

Parafraseando uma amiga que incansavelmente me inspira ( né Cá? ) o tempo serve pra muitas coisas, inclusive para nos devolver a realidade perdida, que não é o mundo dos macacos mas parece!

Eu sabia que minha viagem para Alemanha seria um tempo difícil e de realinhamento mas não estava preparada para o que significa não ter estabilidade... nos joelhos!
Para alguém que dança, não poder andar, parece uma coisa do outro mundo, e para os mexeriqueiros de plantão, mando recado, o joelho está bem muito obrigada, e pragas não pegam
Tinha gente dizendo que ia emancipar minha cirurgia, me dando umas lambadas antes da hora, e me pergunto, o mundo tá mais cheio de maluco que os manicômios...inventaram tanto nome novo de doença mental, que hoje em dia, fica dificil falar quem é são...tá todo mundo louco!!!

Para as bailarinas que eu conheço, digo o que já dizia antes em aula, cuidem muito bem dos joelhos, eles são seus amortecedores naturais, e também agora descobri na marra, os grandes estabilizadores de nosso corpo.
Tente ficar em pé de joelho mole...tenta aí!! Não vai conseguir, isso se conseguir amolecer os joelhos falsamente o que também é difícil demais, só vivendo mesmo..."já dizia minha mãe, quem não ventura num vévi'

E assim foi para mim, um dia antes do show da escola deste ano - Mitológia Feminina- operei meu joelho esquerdo.
Dia seguinte, das oito da manhã até as onze da noite, teatro, comandando o show e lendo pequenos textos sobre as Deusas.

Drenagem na perna operada - o que é isso? Não da tempo e ninguém me disse que precisava, e eu que cuido de tantas coisas , não cuidei de mim mesma, e trabalhei como se fosse um dia qualquer.
A perna ficou de um tamanho esquisito, parecia que de um lado eu era Dumbo e do outro a mesma de sempre.

4 dias depois a viagem de avião e as agruras de usar uma cadeira de rodas. Depois coloco fotos aqui, claro que o Michael não ia perder a chance de tirar uma foto reportagem deste feito espetacular, me manter parada sem ir a lugar nenhum, dependendo inteiramente de onde ELE iria me levar!

Privada dos movimentos normais que todos nós temos, é que podemos mais uma vez reavaliar a preciosidade que é ter um corpo que funcione a todo vapor, sem problemas ou limitações.


Coisas simples passam a ser as mais complicadas do mundo. Nao pode andar, não pode torcer, não pode apoiar, então o que pode?
Pode ter paciência minha filha...

E eu descobri uma vez mais que este é um talento que tenho que requisitar para a próxima encarnação.
Credo, como eu não tenho paciência!! é horrível, nem eu me aguento, quanto mais quem está por perto.

Para me distrair este marido que o Universo me deu, me encheu de arte e mais uma vez me lembrei de vc Ca, vc ia amar o que eu vi.

Fui assistir Madame Butterfly, aqui em Saarbrucken. Uma chinesa era a dona do papel principal e ela simplesmente carregou a ópera sózinha o tempo todo. Duas horas e pouco de mergulho no sofrimento desta gueixa apaixonada por um tenente americano.

Que voz era aquela, vindo de uma mulher tão pequena, que carregou o teatro todo como se ela pudesse com um pequeno gesto mover os corações deste público que é tão mais formal, do que nós brasileiros, quando nos sentimos tocados na alma.
No final, eu levantei, esqueci as muletas, quase caí e ainda passei vergonha, pois aqui, quando eles gostam muito batem com os pés no chão e nada mais, e só dava eu, cambaleante, com o olho embaçado de tão molhado e doida, em pé, sem bater o pé, em respeito ao que tinha acabado de ver...

No dia seguinte, ainda ávida, de mais ele me levou para ver " A casa Azul " uma obra de uma cia inglesa de dança inspirada na história de vida de Frida Kahlo.
Uma mulher a frente de seu tempo, uma artista apaixonada, dona de uma intrepidez maluca e um desejo de amar profundo.
Uma lutadora , uma guerreira e porque não dizer vencedora, pois ela quebrou muitas de suas próprias barreiras e continuou tentando.

Com tanta ajuda era impossível não passar por aqueles primeiros dias, e assim foi.
Hoje estou no 13º dia pós cirurgia e já ando ainda com ajuda, sentindo menos dor, sei que é passageiro mas também sei que existem coisas a serem aprendidas profundamente neste período.

Que eu possa mesmo usar o poema de Drumond para viver este pouquinho que falta de 2011 e poder começar um caderno novo em 2012.

Como diz outra amiga, escolhendo melhor para quem eu dou o meu melhor, pois estes que estão por perto e são reais já viram meu pior e só eles e ninguém mais merecem o melhor!

Que venha o novo ano, e com ele muita energia e paciência para as novas lições!

Que pode uma criatura senão,
entre outras criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Eterno Carlos Drumond de Andrade














































terça-feira, 15 de novembro de 2011

As cavas Aliança em Portugal - uma visita de arte e em busca do sensorial

Quando primeiro aprendi algo sobre vinhos, direto do túnel do tempo, e em outras companhias, os vinhos portugueses ficaram marcados dentro de mim.
Na primeira vez em que somos ensinados sobre retrogosto, bouquet, viscosidade, e nota de fundo...sei que tem outro nome mas não me lembro, vai então a expressão para perfumes.... nossos sentidos são despertados para outros níveis.

Meu primeiro professor de vinhos, me fez perceber que naquela taça residia muito mais do que uma bebida para me deixar meio lá meio cá.
E de mocinha rasa, que só gostava de vinho doce, eu passei a ser uma aprendiz, que mais tarde mudaria seu gosto totalmente para vinhos tintos e secos, de preferência encorpados.

Desde então despretenciosamente, busquei experimentar um pouco de vinho em todos os lugares por onde passo. Não me arvoro posição alguma e nem tento analisar nada, apenas me entrego ao prazer de sentir na boca os aromas e sabores distintos, e me permito decidir, gosto ou não gosto?
Essa é a vantagem de não ser profissional na área, a experiência é simbolo de prazer e se não é eu descarto, assim simples, como diz meu professor de Tao, esqueça o complicado e viva o simples!!!

E deste jeito fui visitar as Cavas Aliança perto de Coimbra
O Museu subterrâneo pertence ao dono da Cia no momento, e foi uma surpresa incrível.
 Embaixo da terra vivem os vinhos e arte do mundo inteiro. Eles também são os donos do meu tinto preferido Quinta da Bacalhoa, e descobri que nem mesmo em Portugal o danado é baratinho.

A visita guiada foi rápida e rasteira e mal tínhamos tempo para entender o que estava acontecendo
 A coleção de arte começa com máscaras africanas de diversas regiões que vão desde tempos remotos até a atualidade, de acordo com os cornos presentes nas carrancas definia-se o poder e importancia do proprietário das mesmas, e também sua posição social dentro da estrutura da tribo;
 Com o passar do tempo as esculturas , guardando diferenças regionais e de antiguidade , foram ficando menores e mais detalhadas e mais tarde até facilitavam a vida dos turistas que passaram a querer trazer para casa um pouco da excentricidade e exotismo do país que visitavam!
 A arte de cestaria é mostrada nesta parede cheia de exemplos da criatividade africana relacionada a esta arte

E aqui olhem só, os símbolos fálicos, mais uma vez diziam sobre o poder de seu dono, e dizem as más linguas também poderiam ser descritivos, mas é difícil de acreditar no tamanho de alguns.

A coleção de pedras semi preciosas é de tirar o fôlego de qualquer um. A maioria delas vem de nosso país e corredores sem fim mostram peças lindas, desde as brutas até algumas já com trabalho de lapidação.




O mais incrível , esta visita não custa absolutamente nada e qualquer pessoa pode agendar e trazer seu grupo, as belezas que te esperam são de fato surpreendentes.
Nunca imaginei que ao visitar uma cave de vinhos pudesse ser assolada por tanta beleza e expressão artística.